A ciência tem como intuito esclarecer fenômenos físicos, químicos e biológicos, de maneira que possa contribuir com uma sociedade saudável, seja individualmente ou nas relações familiares e sociais. Como a ciência pode contribuir para diminuir a discriminação racial?
Sabemos hoje que na espécie humana, a cor da pele é definida, em sua maior parte, pela presença de um pigmento proteico chamado melanina. A melanina está presente não só na pele, mas também nos pelos e nos olhos (na íris). Quem tem mais melanina tem a pele, os olhos e o cabelo mais negro, e quem tem menos melanina, a pele, o cabelo e os olhos de cor mais clara. Obviamente, a melanina tem uma função muito importante no corpo: proteção contra a radiação ultravioleta do sol. Isso significa que, fora a concentração de melanina, não há diferença significativas entre as diversas tonalidades de cores entre os seres humanos.
Mas por que essa diferença de quantidade de melanina existe? Por que na população africana é mais evidente uma concentração maior de melanina? Tudo isso pode ser explicado pela seleção natural. Na espécie humana, toda característica física é armazenada no DNA da pessoa, ou seja, suas características são praticamente um reflexo daquilo que seu DNA é. Assim como em um alfabeto de 26 letras dá pra escrever uma diversidade enorme de palavras, assim é o DNA: as diversas combinações do DNA permitem que bilhões de seres humanos apresentem características muito diferentes. As características do DNA são transmitidas de pais para filhos, de maneira que as vezes, de acordo com algumas leis da genética, nem sempre os filhos herdam determinadas características dos seus pais, mas será provável que os netos herdem. Por exemplo, pais que tem o tom de cor de pele claro podem ter filhos de tom de pele mais escuro. Pais “morenos” podem ter filhos com cor de pele desde bem claro até bem escuro.
Porém, o ambiente acaba "selecionando" aqueles que tem mais recursos para sobreviver diante das dificuldades que a natureza impõe. Por exemplo, em que região do planeta tem mais sol? As regiões mais próximas da linha do Equador, como por exemplo, a maior parte da África. Se o sol lá é mais intenso, e a radiação ultravioleta também, aqueles que tinham a pele mais escura tinham mais chance de sobreviver, enquanto os de pele mais clara não. Para que aqueles de pele mais clara tivessem mais chance de sobreviver e reproduzir, seria necessário que estes fossem pra regiões de menor incidência solar, como a Europa e principalmente a região norte desse continente. Foi o que aconteceu. Nessa situação, ter a pele mais clara é mais vantajoso, porque assim, com pouco sol, a pele mais clara consegue absorver melhor (ao menos um pouco) a luz ultravioleta, para produzir a Vitamina D, essencial para o sistema imunológico humano. Por isso, vemos hoje que a população Africana é de cor mais escura, enquanto a população europeia e asiática é mais clara.
Mas isso quer dizer que antigamente na África existiam não só negros, mas também brancos? Sim! Leia o texto abaixo:
"Uma descoberta recente feita por um grupo de pesquisadores da Universidade da Pensilvânia, nos Estados Unidos, contraria os discursos discriminatórios baseados em questões raciais e dá um grande passo em direção à compreensão da evolução da cor da pele ocorrida há alguns milhares de anos. O estudo do material genético de diversos povos da África comprovou que a evolução da coloração da pele não é preta ou branca e encontrou vários matizes, do mais claro ao mais escuro, no continente
africano, onde a população é frequentemente associada à pele negra.
A pesquisa buscava identificar os genes responsáveis pela diversidade da cor da pele e para isso foram analisados os dados genéticos de 1.570 indivíduos da África subsaariana, especificamente populações em Botsuana, Etiópia e Tanzânia. "As pessoas acham que a cor da pele na África é uma única cor escura e a gente viu que não. Existe uma diversidade muito grande, tem populações com uma pele bem mais clara e outras com pele bem mais escura. Descobrimos genes e variantes genéticas que não tinham
sido identificados ainda relacionados com a coloração da pele", explicou a pesquisadora paranaense Marcia Holsbach Beltrame, que integra o grupo responsável pelo estudo publicado no final de outubro pela Revista Science. "Nossa pesquisa foi o primeiro grande estudo feito no continente africano em relação a isso"."
Acesso em: <https://www.folhadelondrina.com.br/geral/peles-negra-e-branca-tem-origem-em-populacoes-africanas-revela-estudo-992620.html>
Podemos concluir que a cor da pele é uma característica genética como várias outras. Toda característica genética tem uma utilidade para sobrevivência em algum tipo de ambiente. No mundo atual, onde conseguimos superar muitos obstáculos que a natureza nos impôs, através da ciência e da tecnologia, podemos encontrar pessoas das mais diversas características e tonalidades de pele espalhadas pelo mundo todo, trabalhando, vivendo em sociedade de forma harmônica e contribuindo para o desenvolvimento de uma sociedade melhor e mais justa.
🔉Ouça o áudio da explicação do texto:🎵
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